Artes Plásticas em espaço público
As Artes Visuais também possuem uma gramática e a uma sintaxe própria!
As artes visuais possuem uma gramática e sintaxe próprias que não devem ser ignoradas. Referimo-nos a um conjunto de regras que vão permitir o estudo e o desenvolvimento das artes visuais. O termo “regra” pode ser considerado forte no sentido em que as artes, tradicionalmente não estão condicionadas a cânones. Contudo os códigos de comunicação estão sujeitos a regras universais para poderem ser lidos e interpretados. Kandinski, (1996) professor da Bauhaus e pintor abstraccionista russo, refere.
“(..) Há cegos de nascença. Cegos física ou espiritualmente. Para ambos, a pintura é nociva. Há homens em estado letárgico que podem despertar, se não fecharem os olhos deliberadamente (..)”.
É interessante considerar o exemplo da linguística, onde a aplicação das regras gramaticais não limita a criatividade. Potencia sim a forma, a composição e todos os assuntos ligados à língua. O mesmo sucede com as Artes e, de igual forma, com todas as actividades humanas estruturadas em saberes.
A necessidade de estabelecer uma gramática das artes visuais tem como objectivo identificar um conjunto de regras que permitem ao artista construir a forma, concretizar uma composição e acima de tudo ser capaz de comunicar de forma universal.
As Artes Visuais são, sem qualquer dúvida, uma linguagem escrita, desde logo obrigam à prévia aprendizagem dos componentes básicos, onde devemos salientar a gramática e a sintaxe (DONDIS, A. Dondis. 2003. Sintaxe da Linguagem Visual).
Regressando ao campo linguístico a gramática divide-se em 10 áreas entre as quais a sintaxe. No campo específico das artes visuais devemos abordar os aspectos ligados à sintaxe, por ser fundamental na composição artística. A sintaxe em artes visuais constitui-se num conjunto de regras que regem a construção da forma.
A alfabetização visual não é inata como tradicionalmente se pretende considerar. Exige uma vasta e profunda formação em áreas multidisciplinares. Na realidade ver uma forma não significa a sua compreensão. O juízo de simplicista de “gostar” ou “não gostar” de um trabalho exposto, é consequência de um reportório pessoal muito pobre, influenciado em grande medida por modas, convenções sociais, costumes e usos. E não pelo conhecimento das normas que identificam o processo de comunicação (ECO, Humberto 1976. “Obra Aberta”).
A alfabetização visual só pode ser adquirida através da educação e da aquisição de repertórios. O reportório de um indivíduo em termos de comunicação é constituído pelo seu nível académico e cultura. No caso do indivíduo que transmite a mensagem e o que a recebe, se o reportório de ambos não estiver ao mesmo nível, a apreensão da mensagem revela-se muito difícil se não impossível. Recorrem então, alguns, ao termo “subjectividade” na observação e e interpretação formal. Ao nível da teoria do conhecimento, segundo Solso (SOLSO, R. L. 1994. “Cognition and Visual Arts”) a leitura deformante de uma mensagem é causada pelo conjunto de ideias, significados e emoções muito influenciados por interesses e desejos particulares ao nível do indivíduo.
Compreendemos agora a dificuldade em avaliar o trabalho artístico por parte do público e mesmo dos responsáveis por instituições culturais, incapazes de realizar um qualquer tipo de selecção. Contudo a impossibilidade de comunicar correctamente pode passar pelo autor dos trabalhos em exposição, e não do observador77 que pode ser um indivíduo especialista neste campo da comunicação visual (CANOTILHO, Luís. 2008. “Do quadrado ao ponto de Bauhütte”).

