“O olho humano tem tanta prática que, da observação simples, sem ângulos, linhas ou distâncias, é capaz de conduzir a mão para a representação das formas... mas não de outra forma que em perspectiva.”
Miguel Ângelo
A perspectiva, designação correcta de desenho em três dimensões, é a forma mais rigorosa de representar as formas num espaço bidimensional.
No entanto, este método de representação da realidade formal, não deixa de ser uma ilusão ou equívoco, não no sentido depreciativo do termo.
Poder-se-á mesmo considerar os que utilizam este método de representação, artistas, arquitectos, engenheiros ou desenhadores, como ilusionistas. Pretendem recriar no espaço bidimensional a ilusão de profundidade.
E se para alguns, a perspectiva não tem cabimento na arte contemporânea, é porque demonstram desconhecimento da evolução histórica da arte e são possuidores de uma cultura demasiadamente balizada.
Em toda a actividade artística, a imagem será sempre um produto executado com determinadas intenções e não um equivalente ao real. No entanto, em criação, não bastam atributos como a expressividade e a criatividade.
Como em qualquer actividade humana, o rigor, a objectividade, o conhecimento técnico-científico e a investigação, são e serão sempre, a base de toda a construção criativa.

