Investigação
O âmbito da investigação realizada por artistas
Partindo das palavras de Ilídio Salteiro “Fazer Arte é Investigar”.
Julgamos que o artista, possuidor de formação superior no campo específico da sua actividade, não tendo outra formação complementar, não pode dirigir a sua investigação para os campos da Estética ou da História da Arte.
Ter realizado uma disciplina de Estética ou de História da Arte, não lhe atribui as competências necessárias para as abordagens nos campos da Filosofia ou da História, por desconhecer o seu âmbito específico.
Julgamos que o artista deve incidir a investigação sobre o seu trabalho. Constitui este o verdadeiro âmbito da investigação, cuja complexidade é enorme, ao reflectir sobre o PROCESSO DE CONSTRUÇÃO FORMAL.
Contudo devemos aplicar no campo específico das artes, o termo “PRACTICE-LED”, por se constituir no âmbito do designado PROCESSO CRIATIVO, cujo resultado passa pela contextualização teórica do projecto artístico que pretende realizar, o âmbito social onde a obra se vai inserir, a metodologia conceptual (descrição das diferentes fases), os aspectos ligados à composição e estruturação formal, os materiais e tecnologia empregues, bem como o resultado final, através de uma análise crítica do mesmo.
Devemos, no entanto, esclarecer que esta metodologia visa fundamentalmente o trabalho prático que o artista realizou e poderá não incidir sobre um trabalho laboratorial prévio ou sobre a análise prévia, ao nível conceptual de teorias.
E aqui realizo uma afirmação, que muitos não concordarão: A Investigação só possui uma metodologia, seja em que área do conhecimento for. O meu âmbito da investigação foi sempre no campo das Ciências Sociais, abrangência das humanidades, onde se deve inserir a “PRACTICE-LED”.

